A frase parece um segredo antigo.
Quase um pedido, quase um aviso.
Num mundo que gira rápido demais, onde a vida acontece entre reuniões, notificações e tarefas acumuladas, muitas vezes só paramos diante do inevitável: as perdas, o luto ou a morte de alguém querido.
E é ali, no intervalo entre o que fomos e o que já não somos mais, que algo profundo se revela: o luto não fala apenas de fim.
Ele fala, também, sobre o que ainda pode ser um começo.
Por que falar sobre a morte é, na verdade, falar sobre a vida? Porque negar a finitude não nos protege, apenas nos distrai.
Vivemos como se houvesse tempo de sobra. Mas basta uma ausência repentina, uma notícia que vira o mundo de cabeça para baixo, para lembrarmos: não estamos no controle de tudo, nunca estivemos.
Quando a perda chega, seja de alguém querido, de um ciclo, de uma fase ou da percepção de que já não somos a mesma pessoa de antes, ela nos obriga a encarar a vida com mais clareza.
Quem somos e o que fizemos, afinal, quando tudo que amamos pode desaparecer?
Luto é reconhecer o que tem valor afetivo, ele também fala de vínculos.
Sentir a dor da ausência não te faz fraco, te faz humano.
E é justamente essa humanidade que sustenta o amor, a memória e a coragem de continuar.
O luto é a expressão de tudo o que foi vivido, do que fazia sentido para você; é a prova de que houve importância.
E ainda que doa - profundamente - ele pode se tornar um espaço de transformação pessoal.
O que o luto ensina sobre recomeçar?
Ele ensina a desacelerar, a reorganizar e a priorizar o que realmente importa em nossa vida.
Quando estamos dispostos, o luto também nos ensina a olhar para dentro com mais gentileza.
As perdas não se "superam", elas se adaptam, se integram e continuam fazendo parte de nós, só que de um novo jeito.
Recomeçar é aprender a caminhar com a dor, com dignidade, cuidado e maior fortaleza emocional.
Viver plenamente é também aceitar que tudo pode mudar a qualquer instante.
É isso que o luto nos lembra, com toda a sua crueza e profundidade: que ainda há tempo.
Tempo para amar.
Para pedir desculpas.
Para cuidar de si.
Para não deixar para depois o que pode ser vivido agora.
Porque a vida é finita.
Mas o que a gente sente, e transforma com consciência emocional, pode transcender o tempo.
Se você sente que está com dificuldades para se adaptar à nova realidade e precisa de apoio para transitar por esse processo, encontrando caminhos em meio à dor do luto, fico à disposição.
Elizabeth Hernandez.
Psicóloga | CRP 07/23235