Janeiro: o mês das resoluções, das metas ousadas e da pressão para o "recomeço". Em todos os cantos, somos bombardeados com a ideia de que o ano novo é um portal mágico onde tudo o que é ruim fica para trás e a vida deve ser vivida com entusiasmo renovado.
Para quem está em luto, essa narrativa de euforia e superação imediata pode ser não apenas irreal, mas profundamente dolorosa.
O calendário virou, mas o seu tempo interno não. A dor da perda não se apaga com a virada do ano. E a crença de que precisamos "superar" a perda é, talvez, uma das mais prejudiciais e desumanas que a sociedade impõe.
Não, você não vai "superar" essa perda.
A palavra "superar" implica que a perda é um obstáculo a ser vencido, uma doença a ser curada, algo que deve ser deixado no passado para que a vida "volte ao normal". Mas a verdade é que a perda de alguém amado muda a sua vida para sempre.
O luto não é uma linha de chegada onde a dor desaparece completamente. É um processo de integração. Você não deixa a pessoa amada para trás; você aprende a carregar a ausência dela de uma nova forma, integrando a memória e o amor que restaram na sua nova realidade.
A sociedade adora a ideia de progresso linear: hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje. No luto, essa lógica é falsa e ás vezes um pouco cruel.
O luto é feito de movimentos, de idas e vindas, de dias melhores e dias piores.
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Crença comum (Mito) |
Realidade do luto (Integração) |
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"Eu preciso estar melhor em janeiro." |
O tempo cronológico não coincide com o tempo psíquico. Seu ritmo é o único que importa. |
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"Se eu rir, estou desrespeitando a memória." |
A ambivalência faz parte do processo. Sentir alegria e tristeza no mesmo dia significa que você é humano. |
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"Se a dor voltar, eu regredi no processo." |
O luto é não linear. A dor pode voltar com a intensidade do primeiro dia, e isso não é um retrocesso. |
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"Preciso ter metas e recomeçar." |
Você não precisa ter planos. Um dia de cada vez é mais do que suficiente. |
Se você riu em algum momento durante as festas e depois se sentiu culpado, saiba que essa ambivalência é a prova de que você está vivendo o luto de forma autêntica. O amor e a dor coexistem no processo.
Neste início de ano, a maior permissão que você pode se dar é a de não acompanhar o ritmo dos outros.
Você tem permissão para:
Janeiro pode ser só mais um mês, e está tudo bem que seja assim.
O ano novo não apaga o luto.
O calendário não determina quando você deve estar "melhor".
Se este texto fez sentido para você, saiba que não está sozinho nessa experiência. O caminho é longo, mas não precisa ser solitário.
Aprender a viver com a ausência é um dos trabalhos mais difíceis da vida. Na terapia especializada em luto oferecemos o suporte necessário para que você possa atravessar esse processo de integração com acolhimento e ferramentas adequadas.
Estou aqui para oferecer esse espaço de escuta e acolhimento profissional, envie uma mensagem no meu WhatsApp e agende sua primeira consulta.
Elizabeth Hernandez
Psicóloga Online | CRP07/23235
Especialista em Luto