*Maria estava muito abalada, o motivo era o grupo de WhatsApp da família. Aquele espaço que, em qualquer outro dia, fervilhava com mensagens de "bom dia", vídeos engraçados e brincadeiras, estava em um mutismo total. Uma ausência de comunicação que, para Maria, parecia estranho.
Era o dia do aniversário do pai dela.
Para Maria, era irrelevante o lugar do mundo onde cada membro da família estivesse; aquele dia era sagrado. Era o dia de celebrar a memória, de compartilhar uma lembrança, de fazer com que a presença dele, mesmo na ausência, fosse sentida. Pela primeira vez em anos, o grupo permaneceu em absoluto mutismo, e isso a incomodou profundamente.
O incômodo não se resumia à falta de mensagens. Era a dor de sentir que a memória do pai estava sendo esquecida, ou pior, que a importância daquele dia era só dela.
Na terapia, essa cliente conseguiu identificar que o mutismo dos outros ativou uma dor profunda: a de sentir-se sozinha no seu luto. Ela recordou momentos juntos, a adolescência conturbada e as lições valiosas que extraiu da relação. Percebeu o quanto era crucial para ela que aquele dia fosse lembrado, e como a saudade, a cada ano, apresenta-se de uma forma diferente.
A grande verdade que descobrimos é que cada pessoa vive o seu luto da maneira que lhe é possível. Enquanto para Maria, a celebração e a lembrança ativa eram essenciais, para outros, o mutismo poderia ser a forma de honrar a dor, ou até mesmo de evitá-la por desconhecer como lidar. O aniversário, a cada ano, traz consigo uma nova experiência, e isso é um processo natural.
O problema não era a falta de mensagens no grupo, era o que ele revelava sobre as expectativas de Maria e a necessidade de validação externa para a sua dor.
A terapia tornou-se o espaço seguro para ela:
1. Dar voz à sua dor: entender que a saudade e a necessidade de lembrar são válidas, independentemente da reação dos outros.
2. Reelaborar a memória: lembrar do pai, inclusive dos momentos conturbados da adolescência, e transformar as experiências em força e aprendizado.
3. Aceitar a individualidade do luto: compreender que o amor e a memória do pai não dependem de um grupo de WhatsApp ativo.
O que Maria precisava não eram mensagens no grupo, mas de compreender a origem do seu desconforto e como lidar com essa emoção.
Se a sua vida está cheia de "ausências que pesam" ou de desconfortos que não consegue identificar, saiba que a Psicoterapia é o caminho para ter essa clareza.
Compreender a origem do seu desconforto é o passo fundamental para a transformação. Não permita que as dores não identificadas ditem o ritmo da sua vida.
Agende a sua sessão de Psicoterapia comigo e comece a dar voz ao que precisa ser ouvido.
Elizabeth Hernandez/ Psicóloga
Atendimento online
*Maria (nome fictício),