A migração tem um custo emocional que raramente é dito com clareza: a culpa de não estar presente quando a vida acontece para quem ficou. Aniversários, casamentos, nascimentos, velórios… cada data intensifica a sensação de que algo foi perdido e não volta mais.
Migrar é uma decisão racional sustentada por razões afetivas, financeiras, profissionais, de segurança, existenciais, entre outros. Mas quando chega o momento importante, você não está lá e a mente transforma isso em culpa.
Esse sentimento é silencioso porque quem migra raramente o expressa. Sabe que ninguém tem culpa, mas mesmo assim sente.
Quando chega a foto do aniversário, o vídeo do casamento, o áudio da notícia de um velório… algo dentro de quem está longe dói fundo. É perder pedaços da própria história.
E isso cria:
É uma dor específica de quem ama à distância: sentir falta de algo que nunca chegou a viver.
Quem migra sabe que o tempo passa diferente para quem ficou. E quando a data marcada é irreversível, um falecimento, um último aniversário, um evento que jamais se repetirá, a dor da distância ganha camada dupla:
Isso vai além da culpa, para algumas pessoas chega a ser dor existencial.
A culpa migratória surge justamente porque há vínculo, porque a distância física anda mais devagar que o coração.
Cuidar desse sentimento passa por reconhecer algumas verdades:
A culpa pode falar alto, mas ela não define quem você é, ela só mostra o quanto você ainda pertence.
Esse sentimento pode ser trabalhado, compreendido, ressignificado, sem negar o que se sente, mas sem deixar que ele paralise ou afaste ainda mais de quem se ama.
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Elizabeth Hernandez | Psicóloga
CRP 07/23235