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A culpa de estar longe nos momentos que mais importam

A culpa de estar longe nos momentos que mais importam

A culpa de estar longe nos momentos que mais importam

A culpa de não estar lá: quando a migração nos afasta dos momentos que mais importam

A migração tem um custo emocional que raramente é dito com clareza: a culpa de não estar presente quando a vida acontece para quem ficou. Aniversários, casamentos, nascimentos, velórios… cada data intensifica a sensação de que algo foi perdido e não volta mais.

A culpa nasce da impossibilidade, não da escolha

Migrar é uma decisão racional sustentada por razões afetivas, financeiras, profissionais, de segurança, existenciais, entre outros. Mas quando chega o momento importante, você não está lá e a mente transforma isso em culpa.

  • "Eu queria ter estado presente."
  • "Eu devia ter ido."
  • "Será que minha falta doeu?"
  • "Será que vão pensar que eu abandonei?"

Esse sentimento é silencioso porque quem migra raramente o expressa. Sabe que ninguém tem culpa, mas mesmo assim sente.

O peso emocional das datas que não vivemos

Quando chega a foto do aniversário, o vídeo do casamento, o áudio da notícia de um velório… algo dentro de quem está longe dói fundo. É perder pedaços da própria história.

E isso cria:

  • saudade do que não foi vivido
  • luto por momentos que eram seus, mas que não foram experimentados
  • sensação de injustiça emocional
  • medo de que os vínculos se enfraqueçam

É uma dor específica de quem ama à distância: sentir falta de algo que nunca chegou a viver.

E essa carga ganha força em momentos específicos

Quem migra sabe que o tempo passa diferente para quem ficou. E quando a data marcada é irreversível, um falecimento, um último aniversário, um evento que jamais se repetirá, a dor da distância ganha camada dupla:

  • o que foi perdido
  • e o que nunca mais poderá ser recuperado

Isso vai além da culpa, para algumas pessoas chega a ser dor existencial.

Mas esse sentimento não significa falta de amor, significa excesso

A culpa migratória surge justamente porque há vínculo, porque a distância física anda mais devagar que o coração.

Cuidar desse sentimento passa por reconhecer algumas verdades:

  • migrar não é abandonar
  • ausência física não apaga presença afetiva
  • vínculos continuam mesmo através da distância
  • amor existe mesmo quando o corpo está longe

A culpa pode falar alto, mas ela não define quem você é, ela só mostra o quanto você ainda pertence.

 

E reconhecer isso já é parte do caminho

Esse sentimento pode ser trabalhado, compreendido, ressignificado, sem negar o que se sente, mas sem deixar que ele paralise ou afaste ainda mais de quem se ama.

Se você se identificou com este texto e sente que precisa de um espaço seguro para falar sobre isso, eu atendo brasileiros no exterior em psicoterapia online. Meus contatos estão aqui no site.

Elizabeth Hernandez | Psicóloga
CRP 07/23235
 

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